sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Lewandowski participa de culto pela posse de André Mendonça no STF e elogia valores religiosos: ‘saberá cultivar os valores e princípios da Constituição’


O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, participou do culto de ação de graças pela posse do ministro André Mendonça, juntamente com diversas outras autoridades. Convidado a se manifestar, o ministro fez um breve discurso e relatou episódios de sua convivência com o novo ministro. 

Lewandowski disse: “Quero, e me permito, prezado André, fazer uma inconfidência. Na quarta-feira, o André - e me permito chamá-lo de André porque agora é meu colega - o André fez uma visita protocolar ao meu gabinete. Já o conhecia como Advogado-Geral da União, um grande profissional, defendendo os interesses da república, o recebi várias vezes. Mas, desta feita, o recebi como colega. E disse a ele que eu não via nenhum problema em ele ser religioso.

Não é nenhum defeito ser religioso. Pelo contrário. É uma virtude. É porque quem é religioso cultiva valores, cultiva princípios e saberá, como ministro, cultivar os valores e os princípios da Constituição federal, que tem como pilar fundamental o princípio da dignidade da pessoa humana. E disse mais ao querido André: que a Constituição Federal estabelece que, para alguém ser ministro do STF, precisa ser brasileiro nato, ter mais de 35 anos, ter reputação ilibada e notável saber jurídico. E disse ao André que, depois de mais de 15 anos de STF e mais de 30 anos de magistratura, eu estava convencido de que além desses requisitos constitucionais, que era necessário para que alguém se desincumba corretamente deste encargo importantíssimo que é ser ministro do Supremo, que é preciso, antes de mais nada, que a pessoa tenha caráter. Eu estou convencido de que André Mendonça tem caráter e prestará relevantes serviços ao nosso querido Brasil”.

Em seu discurso, o ministro André Mendonça respondeu ao ministro Ricardo Lewandowski, lembrando que este o conduziu durante a cerimônia de posse. Mendonça disse: “meu querido amigo, me permita, e colega, agora, de Supremo Tribunal Federal, nosso vice-decano, mas hoje decano, que me deu o privilégio de conduzir-me em uma caminhada… me permita usar uma expressão: alguns passos para um evangélico, mas um salto para toda a Igreja. O senhor foi instrumento de Deus naquele momento e muito me honra, com a doutora Sara, sua esposa, estar aqui presente. Obrigado, ministro Lewandowski”.

André Mendonça acrescentou: “eu queria dizer, ministro Lewandowski, apenas fazer referência ao que disse o bispo Samuel, que o gesto de V. Exa. nesta noite, o senhor não tem noção do que representa para todos nós. O senhor pôde, talvez, hoje, entender um pouco do que nós somos, do que nós queremos. Embora, de fato, o critério de evangélico não seja um critério constitucional, é uma inclusão social, interprete dessa forma. Isso traz para nós uma gratidão a Deus muito grande. E o senhor, fazendo representar o STF nesta noite, muito nos gratifica e nos honra”.

O ministro André Mendonça é o segundo ministro a ser indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Jair Bolsonaro. Embora tenha sido indicado em julho, André Mendonça só tomou posse em meados de dezembro, porque o senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, não quis marcar sua sabatina e paralisou os trabalhos da comissão por cerca de quatro meses. 

A concentração de poderes nas mãos de poucos senadores vem levantando questões sobre a representatividade do Senado, já que o colegiado pode ser ignorado pela vontade de um único senador, como ocorreu na Comissão de Constituição e Justiça e como ocorre com os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Embora a apreciação dos pedidos seja responsabilidade do Senado Federal, os presidentes vêm impedindo qualquer apreciação pelo colegiado, empilhando os pedidos em suas gavetas. 

Sem controle externo, alguns ministros do Supremo agem ao arrepio da Constituição. Em inquéritos secretos, o ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, promove uma perseguição a adversários políticos. Em um desses inquéritos, a Folha Política teve sua sede invadida e todos os seus equipamentos apreendidos, inclusive celulares e tablets dos sócios e seus filhos. O inquérito foi arquivado por falta de indícios de crimes, mas os dados sigilosos foram compartilhados com outros inquéritos e com a CPI da pandemia, que compartilha dados sigilosos com a velha imprensa. 

Mais recentemente, o ministro Luís Felipe Salomão, ex-corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, confiscou toda a renda da Folha Política e de outros sites e canais conservadores, para impedir suas atividades. A decisão teve o aplauso e respaldo do ministro Luís Roberto Barroso, do STF e do TSE. 

Se você apoia o trabalho da Folha Política e pode ajudar a impedir o fechamento do jornal, doe qualquer valor através do Pix, utilizando o QR Code que está visível na tela ou o código ajude@folhapolitica.org. Caso não utilize PIX, há a opção de transferência bancária para a conta da empresa Raposo Fernandes disponível na descrição deste vídeo e no comentário fixado no topo.

Há quase 10 anos, a Folha Política vem mostrando os fatos da política brasileira e dando voz a pessoas que o cartel midiático quer calar. Pix: ajude@folhapolitica.org


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...