quarta-feira, 27 de abril de 2022

‘O Whatsapp deixou muito claro que em nenhum momento atendeu o pedido do TSE’, diz ministro de Bolsonaro


O ministro das Comunicações, Fábio Faria, concedeu uma entrevista coletiva para relatar a reunião do presidente Jair Bolsonaro com representantes do Whatsapp e da Meta no Brasil. O ministro explicou que a reunião foi necessária após a velha imprensa ter veiculado que havia um acordo entre o TSE e o Whatsapp para impedir que novas funcionalidades do aplicativo fossem implementadas no Brasil antes das eleições. Faria disse: “tivemos uma reunião agora, o presidente e representantes da Meta e do Whatsapp no Brasil para esclarecimentos a respeito do que foi amplamente veiculado na imprensa”.

O ministro afirmou: “O Whatsapp deixou muito claro, e a Meta, também, que em nenhum momento atendeu o pedido do TSE para que fossem feitas essas mudanças em relação às comunidades apenas após as eleições. Isso não houve, não ocorreu. Eles tomaram uma decisão global, olhando os concorrentes, olhando o mercado mundial. Esses testes não aconteceram em nenhum país até agora. Provavelmente, no segundo semestre ou até no último quadrimestre, eles irão implementar esse serviço”. 

A notícia de que o TSE tinha feito um acordo com o Whatsapp para não implementar sua nova ferramenta de “comunidades” no Brasil até as eleições foi amplamente divulgada pela velha imprensa. Após o anúncio, o presidente Jair Bolsonaro apontou que o acordo, da forma como foi divulgado, era inadmissível, pois restringiria as comunicações dos brasileiros, tratando-os de forma diferente dos cidadãos de outros países, configurando evidente censura. 

Na coletiva de hoje, um jornalista chegou a perguntar se o presidente entendeu o acordo, mas a velha imprensa foi bem clara ao afirmar que havia um acordo que previa exatamente essa restrição das comunicações dos brasileiros até o período eleitoral. 

O site do Tribunal Superior Eleitoral, em matéria de 27/01/2022, intitulada “Eleições 2022: TSE e WhatsApp discutem medidas para enfrentamento da desinformação”,  informou que o então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, havia se reunido com o “chefe do WhatsApp”, e acrescentou: “Na conversa, o WhatsApp também informou que não implementará novas funcionalidades no Brasil que possam impactar de forma significativa o uso da plataforma até o fim das eleições”. 

Os veículos da velha imprensa, em seguida, garantiram que o acordo entre o TSE e o Whatsapp incluía a não implementação do recurso de “Comunidades” no Brasil até as eleições. 

Em matéria da Band News, de 27/01/2022, o veículo, do Grupo UOL, garantiu: “a ferramenta anunciou também que não vai implementar novas funcionalidades no Brasil que possam impactar de forma significativa o uso da plataforma até o fim das eleições”.

O G1, do grupo Globo, apontou: 

O WhatsApp comunidades será testado globalmente, mas só deve chegar ao Brasil depois das eleições de 2022, segundo a companhia.

Em fevereiro, o aplicativo fechou um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater a desinformação durante o processo eleitoral de 2022. Na ocasião, o CEO do WhatsApp, Will Carhcart, se comprometeu a não implementar nenhuma mudança significativa de produto no Brasil antes das eleições.

Dario Durigan, gerente de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, acredita que a decisão de adiar a estreia do recurso até depois do segundo turno das eleições reforça essa aliança do app com o TSE.

“É uma medida de cautela para não haver nenhum ruído em um ano de eleição, um ano complicado”, explica Durigan”.

O jornal Folha de São Paulo, também do grupo UOL, publicou uma matéria intitulada “WhatsApp lançará opção de grupo com milhares de usuários, mas só após eleição”, onde afirmou: “O WhatsApp se comprometeu com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a não estrear as "comunidades" no Brasil antes do eventual segundo turno da eleição presidencial, marcado para 30 de outubro. A empresa, porém, não promete segurar o lançamento das comunidades entre o segundo turno e a posse presidencial no Brasil”.

O site Yahoo! Finanças, em matéria de 18/4, afirmou: “Entre várias medidas como criação de um robô para tirar dúvidas sobre as eleições e o canal para denúncias contra disparo de mensagens em massa, o WhatsApp se comprometeu também a não lançar novas ferramentas que impactam diretamente no funcionamento da plataforma até o fim do período eleitoral deste ano”. O site citou o presidente do TSE: "O acordo do WhatsApp com o TSE visa justamente proteger a democracia contra comportamentos inautênticos, mas sem restrição indevida ao debate público e à liberdade de expressão", declarou, na ocasião do acordo, o ministro Luís Roberto Barroso, então presidente do TSE.

O site Poder360, em matéria de 14 de abril, intitulada “WhatsApp permitirá grupos com até 2.560 integrantes após eleições”, afirmou: “Os testes de grupos com a nova quantidade de integrantes começaram nesta 5ª feira (14.abr.2022). No Brasil, no entanto, o aplicativo se comprometeu com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a lançar o recurso somente depois do 2º turno das eleições (em 30 de outubro)”. Em matéria do dia 18 de abril, o site apontou que o pedido para que as comunidades não fossem implementadas no Brasil teria partido do Ministério Público Federal em São Paulo, e que a resposta teria sido dada ao TSE. O texto diz: “O WhatsApp disse ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que só lançará a nova função depois do 2º turno das eleições deste ano. Não prometeu, no entanto, aguardar a posse presidencial, em janeiro de 2023”. 

A CNN, em matéria de 16 de abril, consultou um especialista para discutir a motivação por trás do suposto adiamento das “comunidades”. O texto dizia: “O WhatsApp anunciou nesta semana a criação do recurso “pequenas comunidades”, mas ainda não para o Brasil, que só terá o recurso após as eleições. Para o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), Carlos Affonso, a medida segue o “espírito” do acordo da plataforma com o TSE”.

O site R7, em matéria de 17 de abril, relatou: “De acordo com o WhatsApp, o recurso chamado Comunidades, que permite que administradores disparem mensagens para diferentes grupos com milhares de pessoas, só será lançado no Brasil após as eleições”.

A própria Agência Brasil, estatal de comunicações, havia informado: “O Whatsapp anunciou nesta quinta-feira (14) um novo recurso de criação de comunidades. (...) A funcionalidade será disponibilizada após as eleições. Essa decisão ocorreu após a possibilidade ter enfrentado receio e críticas do potencial para a disseminação de desinformação no pleito deste ano.(...)  Diante da preocupação da Justiça Eleitoral, o Whatsapp informou que não lançaria a nova ferramenta antes do processo eleitoral”.

Quem controla a informação controla, em última instância, a realidade. Grupos monopolísticos e cartéis que se associam com o intuito de barrar informações contrárias ou inconvenientes atuam em conluio com a finalidade de aniquilar qualquer mídia independente, eliminando o contraditório e a possibilidade de um debate público amplo, honesto, abrangendo todos os feixes e singularidades dos mais diversos espectros políticos. Controlando as informações, o cartel midiático brasileiro tenta excluir do debate e, em última instância, da vida pública, os conservadores e os veículos que dão voz a essas pessoas. 

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