segunda-feira, 16 de maio de 2022

Bolsonaro escancara pressões por ministérios: “‘O Brasil que se exploda’ - essa é a máxima da política brasileira”


O presidente Jair Bolsonaro fez um longo discurso durante a Cerimônia de abertura da 36ª Edição da APAS Show, em São Paulo, quando discutiu diversos temas relativos a seu governo e à possibilidade de uma guinada à esquerda do País. O presidente comparou os seus ministros com os antecessores, mostrando como funcionava a política brasileira. O presidente lembrou que os ministérios eram literalmente negociados com os partidos, e disse: “assim era movida a política no Brasil. Por vezes me pergunto: como nós resistimos a tudo isso?”.

O presidente relembrou sua trajetória até a eleição, a transição e a formação de ministérios, assim como as pressões de partidos para obter os ministérios. Bolsonaro disse: “Não foi fácil segurar a onda e manter esses nomes lá. É foda trabalhar assim. Não se pensa no Brasil de jeito nenhum. ‘O Brasil que se exploda’ - essa é a máxima da política brasileira. Como viver num ambiente desses?”. Bolsonaro disse: “Eu até digo: me sinto como um prisioneiro sem tornozeleira eletrônica, mas eu entendo que isso é uma missão”. O presidente acrescentou: “Nós temos que tentar mudar o Brasil, não temos outra alternativa”. 

O presidente alertou contra os que tentam roubar a nossa liberdade. Ele disse que, em 1964, tentaram nos roubar pelas armas, e, hoje, tentam nos roubar pelas ‘canetas’. O presidente defendeu a liberdade de expressão de todos e relembrou o desabafo de ontem, reiterando: “todo aquele que viu, nas manifestações de rua de 7 de setembro ou 1º de maio, como sendo manifestações contra a democracia, atos antidemocráticos, para mim essa pessoa é um psicopata ou um imbecil”. 

No contexto atual do Brasil, muitas pessoas estão sendo tratadas como sub-cidadãos, pelo simples motivo de terem manifestado apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Por expressarem suas opiniões, são alvo de CPIs, de inquéritos secretos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, ou são vítimas de medidas arbitrárias como prisões políticas, apreensão de bens, e exposição indevida de dados, entre outras. 

No chamado ‘inquérito do fim do mundo’, e nos inquéritos dele decorrentes, já houve: prisões políticas sem que houvesse sequer indiciamento das pessoas presas; imposição de uso de tornozeleira eletrônica e ‘prisão domiciliar’ em endereço diferente de onde as pessoas moravam; quebra de sigilo de parlamentares, inclusive de um senador; quebra de sigilos de pessoas e empresas, inclusive de veículos de imprensa; censura de veículos de imprensa e de parlamentares; bloqueio de redes sociais de jornalistas, veículos de imprensa e parlamentares; buscas e apreensões em empresas, residências - inclusive de um general da reserva -, residências de familiares, e gabinetes de parlamentares; bloqueio de contas bancárias, inclusive de jornalistas, parlamentares, e pessoas que sequer são investigadas; proibição de contato entre pessoas, que muitas vezes, nem se conhecem; proibição a parlamentares de concederem entrevistas; intervenções no comando de partido político; entre outras. 

A totalidade da renda da Folha Política,assim como de outros canais e sites conservadores, está sendo confiscada a mando do ex-corregedor do TSE, Luís Felipe Salomão, com o apoio e aplauso dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Há mais de 10 meses, todos os rendimentos do jornal estão sendo retidos sem justificativa jurídica. Se você apoia o trabalho da Folha Política e pode nos ajudar a continuar nosso trabalho, doe qualquer valor através do Pix, usando o QR Code que está visível na tela, ou com o código ajude@folhapolitica.org

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