terça-feira, 3 de maio de 2022

Ex-diretor do ‘Estadão’ faz duro alerta sobre ‘imprensa canalha’ e avanço de ditaduras: ‘luta política mais rasteira’


O jornalista Fernão Lara Mesquita, da família fundadora do jornal O Estado de São Paulo, fez reflexões sobre o papel da velha imprensa na promoção da censura nos tempos atuais, durante uma entrevista concedida à TV Câmara Jacareí. O jornalista relatou como conviveu com o jornalismo e também com a perseguição política desde a infância, e apontou: “esse pessoal, hoje, que ataca jornalistas independentes e bajula a imprensa dita grande se engana redondamente, porque o que faz a imprensa ficar grande é o número de vezes que ela é atacada pelo poder”. 

Ao comparar a repressão atual à que ocorreu durante os anos 1970, Mesquita comparou: “na imprensa inteira, não tinha um indivíduo, de qualquer vertente ideológica, que aprovasse a censura. E hoje em dia é o contrário, é a imprensa inteira pedindo censura. E isso me deixa apavorado, porque é aquilo que disse o Pulitzer: “uma imprensa canalha acabará fazendo um país tão canalha quanto ela”. Esse é o dado da equação do dia que mais me preocupa”. Falando sobre a velha imprensa, o jornalista resumiu: “O jornalismo no qual eu acredito, o jornalismo como instituição da democracia, acabou. No Brasil, radicalmente acabou”. 

Fernão Lara Mesquita explicou o papel da internet e das redes sociais em expor a decadência da velha imprensa. O jornalista respondia sobre as manifestações de 2013 e disse: “ali começou um processo que é, vamos dizer assim, natural. Aquilo foi para o Brasil exatamente a mesma coisa que as primaveras árabes e tantos outros movimentos com essa característica que aconteceram no  mundo. O que foi aqui? A classe média meritocrática, aquela que cresceu pelo seu próprio esforço, por merecimento, por trabalho, e não porque cavou uma teta, como um político, de repente, a internet deu a esse pessoal uma voz que ele não tinha, que lhe era negada por essa imprensa censória, cada dia mais parecida com a polícia do governo. Então, esse pessoal, com esse instrumento na mão, sentiu um poder que nunca tinha sentido e fez esse poder prevalecer enquanto o outro lado não descobriu um modo de calá-los na porrada, como aconteceu em diversos países árabes e no Brasil também. O que está acontecendo aqui é que esse tipo de movimento foi calado na porrada. No estilo brasileiro, mas é isso: o sujeito que insiste vai preso, é desmonetizado, é cancelado, é calado, é execrado”.

Questionado sobre as “agências de fact-checking” e seu papel na promoção da censura, Mesquita fez um duro alerta. Ele lembrou que checar os fatos sempre foi essencial para a prática do jornalismo e disse: “qualquer instrumento desse, desde que seja espontâneo, e que a decisão final fique na mão do leitor, é positivo. Se você trabalha para dar condições ao leitor de concluir, ele mesmo, se aquele fato é verdadeiro ou não é verdadeiro, é um trabalho positivo. Agora, se isso vira um instrumento para o governo dizer qual é a verdade e qual não é a verdade…   Tudo isso de “fake news”, é tudo uma mentirada, um ‘bullshit’ da luta política mais rasteira, mais rasteira. Porque a única pessoa que tem o direito de achar se é verdade ou não é verdade é o ouvinte. Se puser o governo fazendo esse papel, você vira fatalmente, inevitavelmente, uma ditadura. Toda ditadura começa aí e vai até o holocausto final. Vai, passo a passo, ela termina com t*** na nuca”.

A censura que vem se intensificando no Brasil atinge unicamente conservadores e já causou o fechamento de alguns veículos de imprensa. Mas a perseguição não se limita à censura e inclui muitas outras medidas, inclusive prisões políticas, devassas, buscas e apreensões, ass*** de reputações, entre outras. 

Na ditadura atual, veículos de imprensa independentes, como a Folha Política, vêm sofrendo forte censura. Investigados em inquéritos “guarda-chuva” onde qualquer pessoa pode ser incluída a qualquer momento por ser associada a um “grupo” por suas inclinações políticas, veículos conservadores já foram invadidos e tiveram todos os seus equipamentos apreendidos. Jornalistas foram presos e enviados para prisões comuns, onde um deles sofreu um acidente que lhe tirou o movimento das pernas e outro ficou em estado grave após uma greve de fome; um jornalista tem contra si uma ordem de prisão por crime de opinião e vive no exílio. 

Grupos monopolísticos e cartéis que se associam com o intuito de barrar informações contrárias ou inconvenientes atuam em conluio com a finalidade de aniquilar qualquer mídia independente, eliminando o contraditório e a possibilidade de um debate público amplo, honesto, abrangendo todos os feixes e singularidades dos mais diversos espectros políticos. Controlando as informações, o cartel midiático brasileiro tenta excluir do debate e, em última instância, da vida pública, os conservadores e os veículos que dão voz a essas pessoas. 

A Folha Política tem toda sua receita gerada desde 1º de julho de 2021 confiscada por uma ‘canetada’ do ministro Luis Felipe Salomão, ex-corregedor do TSE, com o aplauso e o respaldo dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Além disso, todas as receitas futuras do jornal obtidas por meio do Youtube estão previamente bloqueadas. Há mais de 10 meses, toda a nossa receita é retida, sem justificativa jurídica. 

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