quarta-feira, 8 de junho de 2022

Bolsonaro fala de perseguição do Supremo e relata ameaça de Moraes ao Telegram


Durante encontro com empresários no Rio de Janeiro, divulgado pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro comentou, entre outros assuntos, a perseguição do Supremo Tribunal Federal a seu governo e a seus apoiadores. O presidente falava sobre a qualidade de seus ministros, e apontou que os feitos de seu governo não aparecem na velha imprensa. 

Bolsonaro disse: “olha o Marcos Pontes - o que ele tem feito não sai na grande mídia. Tem que procurar nas mídias sociais. São coordenadas pelo Carlos Bolsonaro, tão criticado - “gabinete do ódio”. Não apresentam uma matéria do tal gabinete do ódio, só narrativas”. 

O presidente afirmou que teve sucesso em barrar a urgência do projeto de lei das “fake news”, também conhecido como “lei da censura”. Bolsonaro questionou: “O que queriam com aquilo? Acabar com a liberdade de expressão nas redes sociais? A mídia social que não fala a verdade morre por si só. Por que a minha é a que mais interage no mundo? Porque fala a verdade ali. Mostra o que estamos fazendo, sem o “mas””. 

O presidente mencionou alguns feitos de seu governo que não aparecem na velha imprensa, como o ressurgimento do modal ferroviário, e apontou como o Supremo Tribunal Federal cria obstáculos para o desenvolvimento. Ele mencionou o caso da Ferrogrão e do julgamento do novo marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Bolsonaro explicou que, se a tese do ministro Fachin for aprovada, inviabilizará o agronegócio no Brasil e destruirá a economia”. O presidente disse: “decisão do Supremo não se discute, se cumpre. É isso?”. O presidente apresentou um exemplo hipotético de uma ordem ilegal e disse: “Eu tenho duas alternativas se passar isso aí: entregar a chave pro Fux ou falar “não vou cumprir””. 

O presidente apontou a falta de conexão dos ministros do Supremo com a realidade dos cidadãos comuns e disse: “De lá, lamentavelmente, não vêm boas notícias. Me apontem uma medida que tenha ajudado, não a mim, ao Brasil”. Bolsonaro desabafou: “é  o tempo todo perseguindo”. O presidente lembrou que já prenderam um deputado federal e cassaram um deputado estadual, e questionou: “tem algum jurista aqui? Qual a tipificação? A que ponto nós chegamos?”.

O presidente disse: “O atual presidente do TSE foi o que botou o Lula para fora, tirou da cadeia. Eu estou atacando? Não, estou falando a verdade”. Bolsonaro apontou ainda que Fachin se reuniu com embaixadores, invadindo competências do ministério das Relações Exteriores, e disse: “isso é um crime, o que ele fez”. O presidente perguntou: “que isenção tem um tribunal que age dessa forma? Isso é atacar a democracia?”

O presidente disse ainda: “parece que falar a verdade no Brasil passou a ser algo criminoso. Fake news passou a ser, para alguns, aquilo que não quer ouvir, não quer ver. Como eu disse agora há pouco: me apresente uma matéria - essa veio do gabinete do ódio. Para onde está indo o Brasil?”

Bolsonaro prosseguiu: “cada vez mais eles tolhem. Derrubam páginas, desmonetizam, ameaçam”. O presidente relatou que se encontrou com o vice-presidente mundial do Telegram e com o representante nacional, e o que eles disseram: “estão sendo ameaçados de banimento pelo ministro Alexandre de Moraes se não excluírem a página do PCO. O que é PCO, meu deus do céu? É ultra-radical de esquerda. (...) Porque chamaram o Alexandre de Moraes de s** de toga? Olha do que me chamam o tempo todo nas redes sociais!. Banir o Telegram? Banir? A troco de quê?”. O presidente alertou: “Olha o risco que corre o Brasil. Nós temos que preservar nossa liberdade, acima de tudo”. 

No contexto atual do Brasil, muitas pessoas estão sendo tratadas como sub-cidadãos, pelo simples motivo de terem manifestado apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Por expressarem suas opiniões, são alvo de CPIs, de inquéritos secretos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, ou são vítimas de medidas arbitrárias como prisões políticas, apreensão de bens, e exposição indevida de dados, entre outras. 

No chamado ‘inquérito do fim do mundo’, e nos inquéritos dele decorrentes, já houve: prisões políticas sem que houvesse sequer indiciamento das pessoas presas; imposição de uso de tornozeleira eletrônica e ‘prisão domiciliar’ em endereço diferente de onde as pessoas moravam; quebra de sigilo de parlamentares, inclusive de um senador; quebra de sigilos de pessoas e empresas, inclusive de veículos de imprensa; censura de veículos de imprensa e de parlamentares; bloqueio de redes sociais de jornalistas, veículos de imprensa e parlamentares; buscas e apreensões em empresas, residências - inclusive de um general da reserva -, residências de familiares, e gabinetes de parlamentares; bloqueio de contas bancárias, inclusive de jornalistas, parlamentares, e pessoas que sequer são investigadas; proibição de contato entre pessoas, que muitas vezes, nem se conhecem; proibição a parlamentares de concederem entrevistas; intervenções no comando de partido político; entre outras. 

A totalidade da renda da Folha Política,assim como de outros canais e sites conservadores, está sendo confiscada a mando do ex-corregedor do TSE, Luís Felipe Salomão, com o apoio e aplauso dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Há mais de 11 meses, todos os rendimentos do jornal estão sendo retidos sem justificativa jurídica. Se você apoia o trabalho da Folha Política e pode nos ajudar a continuar nosso trabalho, doe qualquer valor através do Pix, usando o QR Code que está visível na tela, ou com o código ajude@folhapolitica.org

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