sábado, 16 de julho de 2022

Bolsonaro se indigna após queixa apresentada na OEA, cita violações do STF e aponta ‘meia-verdade’ da velha mídia


Durante sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro rebateu narrativas da velha imprensa, como a suposta “notícia” de que ele foi chamado de “corrupto” por uma mulher durante uma “motociata” onde o presidente foi aclamado por uma multidão. O presidente ironizou a manchete e disse: “meia verdade”. 

O presidente relatou que, durante a parada, foi abordado pela mulher, que vestia uma camiseta do PT, e disse: “É o fim da picada ser chamado de corrupto por petista. Chamam a gente do que eles são!”. O presidente lembrou uma série de escândalos de corrupção dos governos petistas, e questionou por que a velha imprensa não mencionou a afiliação partidária da mulher. Bolsonaro disse: “fala que era de esquerda, poxa. Tava fantasiada dessa maneira”.

O presidente também ironizou a queixa apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, por supostos “ataques à liberdade de expressão” de seu governo. O presidente apontou que os frequentes ataques à liberdade de expressão no Brasil têm outra origem, que não é o Executivo federal. 

Bolsonaro lembrou que concedeu a graça ao deputado Daniel Silveira, condenado por crime de opinião. Bolsonaro apontou que, se houvesse crimes na fala do deputado, seriam crimes contra a honra, cuja pena não é a prisão a que ele já foi submetido, nem aquela à qual foi condenado. O presidente disse: “Eu, por decreto, anulei a condenação dele”. 

O presidente apontou: “Liberdade de expressão, você tem ou não tem”. Ele questionou: “Agora, acusar a mim? Eu estou derrubando páginas? Eu proporcionei que um jornalista saísse do Brasil? Eu que prendi o Daniel Silveira? Eu que estou desmonetizando páginas por aí? Eu estou ameaçando a liberdade de expressão??”.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos já recebeu, nos últimos anos, uma série de denúncias de violações a direitos, em especial à liberdade de expressão, relacionados aos inquéritos políticos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes. A Comissão foi informada sobre os jornais “estourados”, com equipamentos apreendidos, jornalistas perseguidos e presos. Foi informada sobre a invasão de residências de cidadãos e apreensão de bens. Foi informada sobre a censura de meios de comunicação. Foi informada sobre a prisão do deputado Daniel Silveira, mas não se manifestou durante os meses que o parlamentar ficou preso por crime de opinião. Foi informada sobre o grave estado de saúde do jornalista Wellington Macedo quando estava em greve de fome após ser preso por mostrar uma manifestação. Foi informada sobre o jornalista Oswaldo Eustáquio, que perdeu o movimento das pernas em um estranho acidente enquanto esteve preso. Foi informada sobre os ativistas que passaram um ano em prisão domiciliar, sem sequer denúncia, em Brasília, mesmo morando em outros estados. Foi informada sobre a prisão de Roberto Jefferson,  presidente de um partido, e sua destituição do cargo a mando de Moraes. Foi informada sobre a censura a parlamentares. Foi informada sobre muitos outros fatos.  Há pelo menos dois anos, há pedidos para que a Comissão mande cessar os inquéritos políticos conduzidos por Alexandre de Moraes. 

Em 2020, o ex-Relator Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Edison Lanza, manifestou preocupação com a decisão de Alexandre de Moraes de censurar cidadãos, nos inquéritos que conduz no Supremo Tribunal Federal. Lanza disse: “Acompanho com preocupação decisão do Supremo Tribunal Federal, que mandou fechar dezenas de contas em redes de ativistas e blogueiros por alegado ‘discurso de ódio’. Deve-se provar, em cada caso, que foi ultrapassado o limite da incitação à violência”, conforme disposto no item 5 do art. 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica. 

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e pessoas que apenas têm um discurso diferente do imposto pelo cartel midiático vêm sendo perseguidos, em especial pelo Judiciário. Além dos inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também o ex-corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Felipe Salomão, criou seu próprio inquérito administrativo, e ordenou o confisco da renda de sites e canais conservadores, como Bárbara, do canal Te Atualizei, e a Folha Política. Toda a receita gerada pelo nosso jornal desde 1º de julho de 2021 está bloqueada por ordem do TSE, com aplauso dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Há mais de 1 ano, toda a renda do nosso trabalho vem sendo retida, sem qualquer previsão legal. 

Sem a possibilidade de receber a renda de seu trabalho, o jornal corre o risco de fechar. Se você apoia o trabalho da Folha Política e pode ajudar, use o QR Code que está visível na tela para doar qualquer quantia, ou use o código ajude@folhapolitica.org. Caso não utilize PIX, há a opção de transferência bancária para a conta da empresa Raposo Fernandes disponível na descrição deste vídeo e no comentário fixado no topo.

Há 10 anos, a Folha Política faz a cobertura da política brasileira, mostrando atos, pronunciamentos e eventos dos três poderes, quebrando a espiral do silêncio imposta pelo cartel de mídia que quer o monopólio da informação. Pix: ajude@folhapolitica.org


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...