quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Deputado Otoni relata como teve a casa invadida a mando de Moraes, do STF, e celular apreendido irregularmente: ‘Não pode calar a voz de milhões de brasileiros’


O deputado Otoni de Paula, vítima da perseguição política do ministro Alexandre de Moraes, discursou durante audiência pública no Senado que debateu a perseguição política no contexto das eleições de 2022. O deputado lembrou que está inserido nos inquéritos do ministro desde 2019, por palavras em um vídeo, e que, além do inquérito, foi também processado pessoalmente pelo ministro e tem sua conta salário bloqueada há muitos meses. 

O deputado explicou a diferença entre criticar pessoas e instituições, acusando o ministro Alexandre de Moraes de fazer uma confusão proposital para perseguir pessoas sob o pretexto de que estariam “atacando instituições” quando apontam atos cometidos por pessoas específicas. Otoni de Paula foi aplaudido ao dizer: “ é necessário que nós digamos aos ministros: V. Exas não são o Supremo Tribunal Federal, V. Exas. são servidores públicos, como qualquer um de nós”.

Otoni de Paula relatou como foi a invasão de sua casa pela Polícia Federal a mando do ministro Alexandre de Moraes, e como a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, lhe disse que a ordem foi solicitada para supostamente “acalmar o Brasil”, utilizando-o como “bucha de canhão”. O deputado relatou ainda ameaças de prisão, transmitidas pelo próprio presidente da Câmara dos deputados. 

Otoni de Paula denunciou que o ministro Alexandre de Moraes conduz sua própria polícia federal, e que a delegada que promove os inquéritos políticos não se reporta ao diretor-geral da Polícia Federal nem tampouco ao Ministro da Justiça.  Da mesma forma, itens apreendidos, como seu celular, não são acautelados pela Polícia Federal, ficando sob a guarda do gabinete do próprio ministro. O deputado afirmou: “o meu telefone celular está sob apropriação indébita do sr. Alexandre de Moraes”. 

Dirigindo-se ao ministro Alexandre de Moraes, o deputado Otoni de Paula disse: “o senhor já provou que pode muito. Realmente, o senhor pode muito. E o senhor já colocou as duas casas do povo de cócoras”. O deputado lembrou a votação que permitiu a manutenção da prisão do deputado Daniel Silveira, em que alguns deputados alegaram ter acreditado em um acordo com o ministro e mantiveram um deputado preso por 11 meses.

O deputado disse: “O senhor já provou, portanto, que pode muito. Mas eu quero dizer algo para o senhor: o senhor só se esqueceu de uma coisa. O senhor pode colocar um parlamento de cócoras, mas o senhor não pode calar a voz de milhões de brasileiros, e esses brasileiros são maiores do que o senhor”.

O assédio ao deputado Otoni de Paula é parte de um assédio a um grupo de pessoas, tratadas como sub-humanos e cidadãos com menos direitos, por manifestarem suas opiniões livremente e por apoiarem o presidente Jair Bolsonaro. Medidas arbitrárias são tomadas contra essas pessoas, que têm seus direitos e garantias fundamentais desrespeitados. 

Além de ter tido a sede invadida e todos os seus equipamentos apreendidos, no âmbito de um inquérito do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que foi posteriormente arquivado por falta de indícios de crime, a Folha Política, atualmente, tem toda a sua renda confiscada a mando do ministro Luís Felipe Salomão, ex-corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, com o apoio e o louvor dos ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Edson Fachin. Há mais de 16 meses, todos os rendimentos do jornal estão sendo retidos sem justificativa jurídica. 

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