segunda-feira, 28 de novembro de 2022

General Mourão se posiciona contra Pacheco na presidência do Senado, cita 'cobras' e apoia Tereza Cristina


Em entrevista a Pedro Albuquerque (CEO do TC) e Murillo de Aragão (CEO da Arko Advice) na iminência do segundo turno, o general Hamilton Mourão, vice-presidente e senador eleito, explicou como pretende lidar com o ambiente do Senado. Ele disse: "Existe um ditado no Exército que diz o seguinte: ‘pato novo não dá mergulho fundo’. Eu sou pato novo lá dentro do Senado. Eu tenho que passar uns dois anos entendendo como funciona. Está cheio de cobra lá dentro. Vou ter que andar com uma bota até aqui. Prefiro que alguém do nosso time seja eleito agora presidente do Senado. A Tereza Cristina é uma candidata muito boa. A Tereza seria a primeira mulher presidente do Senado no Brasil. Ela tem duas características de liderança que considero importantes no momento, em liderança: ela é agregadora e facilitadora. Para esse momento, seria bom uma pessoa que baixasse tensões (...). O país está rachado, está dividido entre dois grupos. Ela seria a candidata. Óbvio que o Pacheco vai querer entrar, também o Renan Filho, se apresentando como algo mais moderno”.

O senador eleito também se manifestou sobre o chamado “orçamento secreto”, questionando o fato de parlamentares enviarem recursos segundo seus próprios critérios. Ele disse: “Eu tenho me posicionado contra o que chamam de Orçamento Secreto, a emenda de relator. O Executivo monta a peça orçamentária, com base na perspectiva de arrecadação, com possibilidades e limitações. No Congresso, vai ser discutida a peça orçamentária, o que a sociedade quer. Terminada a discussão, o Executivo executa, com a fiscalização do Congresso. Está errado o deputado pegar, mandar para tal prefeitura, se não tem um planejamento, joga o dinheiro fora. Tem muito dinheiro jogado fora em nosso país”.

No ensejo, o vice-presidente abordou ineficiências na gestão dos recursos públicos e o travamento de verbas: “Tivemos ideias desde o começo do governo, sendo o Guedes o maior defensor. Os três ‘D’s. Desvincular, desindexar, desobrigar. Temos um orçamento que é totalmente engessado. Verbas carimbadas de educação e saúde. Os próprios estados e municípios reclamam muito disso. Estamos vivendo um momento de inversão da curva demográfica. Temos menos jovens ingressando na escola pública. No ano de 2005, foram 30 milhões de crianças e adolescentes ingressando na escola pública no Brasil. Em 2022, 22 milhões. Vamos precisar de menos recursos para a educação e mais para a saúde. Temos que colocar essa discussão na mesa. Hoje, está totalmente engessado”.

Nesta toada, Mourão abordou como indexações geram graves distorções no manejo do erário: “O Guedes falava em furar o piso para não ser esmagado pelo teto. Eu era secretário de Economia e Finanças do Exército quando foi criada a emenda do teto de gastos em 2016. Na reunião do Alto Comando, apresentei aquilo e falei: ‘o que vai acontecer? O orçamento é uma pizza. Várias fatias ali. Só que a pizza aumentará de acordo com a inflação, o tamanho dela, mas algumas fatias aumentarão mais do que as outras pelas indexações. Assim, em 2023, só se pagará salário’”.

Ademais, o oficial abordou suas perspectivas quanto à privatização de estatais: “A Petrobras, hoje, dá lucro. O governo tem, entre participação direta e indireta, pequenas ações, mais de 400 empresas. Dessas, participação direta, são 43. Dessas 43, 19 dão prejuízo. No ano passado, foram quase R$24 bilhões que o Tesouro teve de aportar nessas empresas. Ou vende ou fecha, não dá para continuar com uma empresa que é ineficiente. No mundo real, isso não existe. Uma que dava prejuízo eram os Correios, passaram a ter uma gestão eficiente e estão dando lucro. Petrobras e Banco do Brasil dão lucro, fica para um momento mais à frente. Agora, imagine R$24 bilhões, dessas outras, no orçamento. Dá para fazer muita coisa”.

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