quarta-feira, 6 de maio de 2026

MARCO RUBIO FAZ PRONUNCIAMENTO E CONCEDE ENTREVISTA AVASSALADORA - GUERRA, TIRANIA, IRÃ


 O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concedeu uma entrevista ao canal Fox News, pouco depois do atentado contra o presidente Donald Trump e seu gabinete no jantar dos correspondentes da Casa Branca. Rubio relatou: “eu não ouvi tiros. Eu vi um monte de seguranças entrando rapidamente. Então, a primeira coisa que a gente imagina é se há uma ameaça dentro do próprio salão. Depois, a segunda coisa é - há um evento de massa acontecendo do lado de fora? Mas eu os vi seguindo todos os protocolos de segurança. Fiquei observando os passos que eles tomavam em torno do presidente. Estava bem aparente que, naquele momento, eles estavam tentando retirá-lo do local, o que é apropriado. Então, foi uma espécie de situação infeliz que aconteceu lá, em que um único indivíduo pode estragar o que é uma das maiores noites em Washington, especialmente com a presença do Presidente. É nesse tipo de mundo que estamos vivendo”. 

Marco Rubio relatou o que os membros do governo fizeram após saírem do local: “nós fomos para o centro de comando nos fundos, com o presidente, e a primeira avaliação a ser feita era garantir a segurança da linha sucessória, e isso estava certo: o Vice-Presidente estava em segurança, o Presidente estava em segurança. Sabíamos que o Presidente da Câmara já havia deixado o local. Essa foi a primeira coisa em que se pensou, depois da segurança das pessoas. Em seguida, veio a decisão sobre continuar ou não com o Jantar dos Correspondentes. E claro, quando acontece uma invasão como essa — mesmo que seja uma invasão limitada —, você não sabe se é uma distração para que outros cinco caras entrem e causem um estrago. É como se você perdesse a esterilidade do lugar. Praticamente, seria necessário retirar todo mundo para depois revistar e trazer todos de volta para a sala. O Presidente realmente queria seguir em frente. Ele queria continuar, não estava nem aí. Estava pronto para continuar. Mas, no final, acho que foi a decisão mais acertada adiar por mais 30 dias e remarcar o evento, porque tirar todo mundo daquela sala, fazer a revista em cada pessoa e trazer todos de volta teria levado horas”.

O repórter mencionou uma fotografia que foi divulgada e que mostrava o presidente Trump e membros da equipe assistindo ao vídeo do invasor, e perguntou como foi aquele momento. Rubio respondeu: “o que é interessante, realmente fascinante e, acredito, admirável no Presidente é seu interesse pela transparência. Havia algumas pessoas que achavam que talvez não devêssemos divulgar o vídeo por se tratar de uma investigação em andamento, mas não acredito que isso coloque em risco essa investigação. Para o Presidente, sua convicção de que o material deveria estar imediatamente disponível ao povo americano demonstra o quanto ele está comprometido com a transparência. Isso também ajuda a calar os tolos que andam por aí falando em teorias conspiratórias, falsa bandeira e toda essa loucura. Mas acredito que a decisão do Presidente de retornar à Casa Branca, divulgar o vídeo e, em seguida, se dirigir ao povo americano em uma coletiva de imprensa — inclusive, com muitas das pessoas que estavam naquela sala agora na Casa Branca, de smoking, fazendo perguntas — demonstrou, de fato, muita liderança da parte do Presidente, acalmou o país e, acredito, nos permitiu voltar o foco para a investigação e seguir em frente com os trabalhos do país."

Questionado sobre as ameaças do regime iraniano contra membros do governo, Marco Rubio lembrou que há um cessar-fogo em vigor e disse: “estamos vigilantes. Não há dúvida de que eles ameaçam, e eles não são os únicos. Além de agentes estatais, há também lobos solitários, há malucos e lunáticos, há pessoas que odeiam o presidente e odeiam este governo. 99,9% deles vão protestar ou fazer alguma imbecilidade online. Mas uma porcentagem pequena - mas significativa - pode querer fazer mais. E já vimos isso. Este presidente já foi alvo de três tentativas de assassinato, inclusive, obviamente, Butler, mas também em Palm Beach. Ao mesmo tempo, você não pode deixar isso afetar o trabalho. Como essas pessoas vencem? Quando as ameaças têm sucesso? Elas têm sucesso quando o intimidam e impedem de ir a certos lugares ou fazer certas coisas. E o presidente não vai permitir isso. Ele foi claro sobre isso. Ele diz: estamos conscientes e vigilantes, mas não podemos deixar esse tipo de coisa nos impedir de fazer nosso trabalho e fazer o que é certo para o país”. 

Questionado sobre qual é o principal obstáculo para fazer um acordo com o regime iraniano, Marco Rubio disse: “Bem, o país é comandado por clérigos xiitas radicais — isso já é um obstáculo bem grande. O outro obstáculo é que eles estão profundamente divididos internamente, e acho que isso sempre existiu, mas agora está muito mais evidente. A melhor forma de entender o Irã é a seguinte: existe uma classe política. Olha, as pessoas falam em moderados e linha-dura. Na verdade, no Irã, todos são linha-dura. Mas há linha-dura que entendem que precisam governar um país e uma economia, e há linha-dura que são completamente motivados pela teologia. Os linha-dura motivados pela teologia não são apenas os oficiais da Guarda Revolucionária (IRGC), mas obviamente o líder supremo e o conselho que o cerca. Depois você tem a classe política: o ministro das Relações Exteriores, o presidente, o presidente do Parlamento, os deputados do Majlis... Esses caras também são linha-dura, mas eles entendem que o país precisa ter uma economia. As pessoas precisam comer. Eles precisam dar um jeito de pagar os salários dos funcionários públicos. Por isso, você vê uma tensão — e isso sempre existiu nesse sistema — entre os iranianos que pensam “vamos ser linha-dura, mas também precisamos equilibrar isso com a necessidade de governar o país” e os linha-dura que não se importam com isso e têm uma visão apocalíptica do futuro. Infelizmente, os linha-dura com visão apocalíptica são os que detêm o poder máximo no país. Essa tensão sempre existiu lá — sempre. Acho que ela está especialmente forte agora, com um líder supremo cuja credibilidade ainda não foi testada, cujo acesso é questionável, que não tem aparecido em público, não tem falado e cuja voz não foi ouvida. Portanto, além de tudo, um dos grandes obstáculos é que nossos negociadores não estão negociando apenas com iranianos. Esses iranianos ainda precisam negociar com outros iranianos para decidir o que podem concordar, o que podem oferecer, o que estão dispostos a fazer e até com quem estão dispostos a se reunir”.

O repórter perguntou se Mojtaba Khamenei, indicado como novo líder supremo após a morte de seu pai, está vivo. Marco Rubio respondeu: “temos indicações de que sim. Obviamente, eles afirmam que está. Não temos evidências de que não esteja. Acho que as questões "estar vivo" e "estar no poder" são duas perguntas diferentes. Você pode estar vivo – mas acho que as questões em aberto aqui são: ele tem a mesma credibilidade que seu pai tinha? Sei que por muitos, muitos anos – pelo menos eu sei que por muitos anos – tem havido debates internos no Irã sobre a sucessão e se ela deveria ser hereditária. Há muitos que resistem a isso. Ele tem as credenciais clericais para atuar de fato como líder supremo? Ele está realmente tomando as decisões, ou há alguém em seu lugar que basicamente controla 90% disso e é quem de fato toma as decisões em seu nome? Não sabemos as respostas para essas perguntas – mas certamente acho que há disfunções no sistema deles, o que está tornando mais difícil negociar com eles agora”.

O repórter citou o presidente Trump, que, ao cancelar a viagem do vice-presidente JD Vance a Islamabad, relatou que os iranianos haviam enviado uma proposta, e, dez minutos após a recusa, haviam enviado uma proposta melhor. Ele perguntou: “O senhor sabe quais concessões os iranianos estão dispostos a fazer?”. Marco Rubio respondeu: “sabemos. Obviamente não vamos negociar isso na imprensa, mas sabemos. Olha, "melhor" em comparação – absolutamente. É melhor do que achávamos que eles iriam apresentar. Acho que ainda há dúvidas sobre se a pessoa que a apresentou tinha autoridade para fazê-lo, sobre se é real – e o que isso significa. Por exemplo, quando se fala em abrir o estreito, algo que sempre é mencionado – é importante que o estreito esteja aberto. Mas não é só o estreito. Se o que eles querem dizer com abrir o estreito é: "Sim, o estreito está aberto desde que você peça permissão ao Irã para passar, caso contrário vamos te destruir, e pague uma taxa" – isso não é abrir o estreito. São águas internacionais. Eles não podem normalizar, nem podemos tolerar que tentem normalizar um sistema em que os iranianos decidem quem pode usar uma via navegável internacional e quanto você precisa pagar para usá-la. Isto não é o Canal de Suez, não é o Canal do Panamá – são águas internacionais. E se isso for normalizado, não só se cria um precedente no Oriente Médio, como se cria um precedente no mundo inteiro. Países ao redor do mundo poderão decidir: bem, essa via navegável internacional fica perto das nossas costas, vamos controlá-la, vamos criar um sistema de pedágio. Então esse é um exemplo de como os detalhes importam aqui. Uma coisa é dizer que está aberto a abrir o estreito, mas você quer dizer abri-lo e voltar ao que deveria ser, ao que sempre foi – ou está falando em abri-lo dentro de um sistema que você está tentando criar, o que seria completamente inaceitável – não só para nós, mas para o mundo inteiro?”

Questionado se as negociações sobre o estreito de Ormuz poderiam ser apenas uma forma de ganhar tempo e não tratar da questão das armas nucleares, Rubio disse: “não vou especular sobre o processo decisório do Presidente nessa questão. Basta dizer que a questão nuclear é a razão pela qual estamos nisso em primeiro lugar. Se o Irã fosse apenas um país radical governado por pessoas radicais, ainda seria um problema, mas eles são revolucionários. Em essência, buscam expandir e exportar sua revolução, não apenas o que fazem dentro do Irã – é por isso que apoiam o Hezbollah no Líbano, é por isso que apoiaram o Hamas, é por isso que apoiaram as milícias no Iraque. Eles não buscam apenas dominar o Irã, buscam dominar a região. E imagine isso com uma arma nuclear. Veja o que fizeram com o estreito – é um ótimo exemplo. O estreito é basicamente o equivalente a uma arma nuclear econômica que estão tentando usar contra o mundo, e se gabam disso. Estão colocando outdoors em Teerã se vangloriando de como podem manter reféns 25% ou 20% da energia mundial. Imagine se essas mesmas pessoas tivessem acesso a uma arma nuclear. Manteriam toda a região refém. Não poderíamos fazer nada contra o Hezbollah, não poderíamos fazer nada contra o Hamas, não poderíamos fazer nada contra as milícias xiitas no Iraque, porque eles estariam sentados com uma arma nuclear dizendo que são intocáveis. Não tenho a menor dúvida de que, em algum momento no futuro, se esse regime clerical radical continuar no poder no Irã, eles vão decidir que querem uma arma nuclear. E o que estavam tentando fazer, antes de o Presidente agir, era se esconder atrás desse escudo convencional de tambores, mísseis e uma grande marinha – se esconder atrás desse escudo convencional impenetrável para fazer o que quisessem com seu programa nuclear. Essa questão fundamental ainda precisa ser enfrentada. Esse ainda é o ponto central aqui”.

Questionado se o regime iraniano deseja seriamente fazer um acordo, o Secretário Marco Rubio disse: “acho que os iranianos estão falando sério sobre tirar o país da confusão em que se encontram. Todos os problemas que o Irã já tinha antes — eles tiveram protestos há alguns meses, e foram protestos econômicos. Todos os problemas que o Irã enfrentava antes do início deste conflito ainda estão presentes, e a maioria deles piorou. A inflação está pior, a seca continua, eles ainda têm dificuldade para pagar salários, a economia está destruída, e eles enfrentam sanções econômicas devastadoras no mundo todo. Todos esses problemas continuam lá, muitos deles agravados. E agora, eles têm metade dos mísseis, nenhuma das fábricas, e não têm mais marinha nem força aérea. Tudo isso foi destruído. Ou seja, eles estão em uma situação muito pior, e estão mais fracos. Por isso, sim, acho que eles estão falando sério sobre como ganhar mais tempo. Mas não podemos deixar que eles consigam isso. Eles são muito bons negociadores. São negociadores muito experientes, e precisamos garantir que qualquer acordo que seja feito seja capaz de impedir, de forma definitiva, que eles corram em direção a uma arma nuclear em qualquer momento.

Questionado sobre o que acontecerá se não houver acordo, Rubio disse: “essa é uma decisão que cabe ao Presidente. Eu começaria lembrando a todos que o nível de sanções sobre o Irã é extraordinário, a pressão sobre o Irã é extraordinária, e acho que ainda é possível aumentar essa pressão. Mas espero que, após este conflito, os olhos do mundo inteiro tenham se aberto para a ameaça que o Irã representa. Eles querem fazer com o mundo, com uma arma nuclear, o que já estão fazendo hoje com o petróleo. Querem manter o mundo como refém para poder fazer o que bem entenderem. Isso é inaceitável. Uma das coisas que precisa acontecer é que a chamada “comunidade internacional” — que gosta de ser chamada assim, mas nunca faz nada — precisa se unir e reconhecer que o que está acontecendo no Irã é uma ameaça à paz global, uma ameaça à estabilidade global. Não é apenas uma ameaça aos reinos do Golfo ou a Israel, mas uma ameaça ao mundo inteiro, e precisa ser enfrentada de forma abrangente. Espero que o resto do mundo se junte a nós nas sanções duras e em outras medidas que estamos tomando para pressionar esse regime a fazer concessões que ele não quer fazer”.

O Secretário de Estado americano explicou a questão da mudança de regime no Irã. Ele disse: “mudança de regime é algo que tem que acontecer de dentro para fora. Mas a pressão pode levar a uma mudança de regime — eu sei que parece só um jogo de palavras. No fundo, uma coisa é trocar as pessoas no poder ou mudar sua ideologia, outra coisa é modificar ou modular o comportamento delas. No final das contas, mesmo sendo radicais, ainda existem pessoas no sistema iraniano que, todos os dias, antes de tomar qualquer decisão, pesam os custos e os benefícios. E nós precisamos garantir que os custos de todas as coisas nefastas que eles fazem superem os benefícios. É por isso que o bloqueio está em vigor. Não podemos permitir que eles fechem o estreito e digam: “Vocês têm que nos pagar para usar o estreito, mas o único país que pode passar livremente, sem pagar nada, é o Irã.” O bloqueio não é contra o transporte marítimo em geral. É um bloqueio contra o transporte marítimo iraniano, porque eles não podem ser os únicos beneficiários de um sistema ilegal, ilícito e injustificado de pedágio e controle no estreito”.

Questionado sobre a possibilidade de os EUA atacarem alvos de infraestrutura energética no Irã, Marco Rubio disse: “A primeira coisa é sempre a intenção. Nosso desejo não é prejudicar o povo iraniano. Não temos nenhum problema com o povo do Irã. Francamente, gostaríamos que as vozes do povo iraniano fossem ouvidas, em vez de terem 30 ou 40 mil deles assassinados nas ruas, assassinados dentro de hospitais e executados rotineiramente. Portanto, não temos nenhuma desavença com o povo iraniano. Sentimos pena do povo iraniano, que também é vítima desse regime. Quando falamos do que o regime usa para se sustentar, estamos falando de sua capacidade industrial, sua capacidade de gerar energia e de usar estradas e pontes para fins militares. Por isso, nossos alvos serão sempre coisas que sustentam o regime diretamente. É claro que pode haver uma estrada, uma usina ou uma fábrica que também beneficie a economia, mas seu papel principal é beneficiar o regime e seu aparato de segurança. É nisso que sempre miramos e é nisso que estamos focados. Não estamos atingindo hospitais nem nada do tipo. Não estamos atingindo creches ou escolas infantis. Esse nunca foi nosso objetivo. Estamos mirando coisas que apoiam a capacidade do regime de exportar terrorismo e proteger seu programa nuclear”.

O repórter perguntou se Rubio já falou com seu homólogo iraniano. Rubio respondeu: “nunca falei com o ministro das Relações Exteriores do Irã, e ele raramente falou com nossos representantes. A maior parte das conversas é indireta. Houve alguma comunicação direta nas últimas semanas em relação a essas reuniões que ocorreram. Lembre-se de que, por muito tempo, existia uma proibição no sistema iraniano contra falar diretamente com americanos. Era necessário falar por intermédio de terceiros. Acho que este conflito criou a necessidade — como vocês viram no que ocorreu em Islamabad, no Paquistão, há algumas semanas, onde houve comunicações diretas. Mas comunicações diretas com eles são muito raras e muito discretas, e ocorrem apenas por meio de uma ou duas pessoas no sistema deles”.

Sobre o Líbano, Marco Rubio explicou: “É um cessar-fogo muito particular, porque o Líbano e Israel não estão em guerra. O problema de Israel é com o Hezbollah. Infelizmente, o Hezbollah está dentro do Líbano realizando ataques contra Israel. Pelo que tenho percebido — e tem sido bem-sucedido —, tanto os libaneses quanto os israelenses querem a paz. Eles não têm problema um com o outro. Israel não tem reivindicações territoriais sobre o Líbano. Não existe nenhuma parte do Líbano que Israel reivindique como sua. O problema de Israel não é com o Líbano. É com o Hezbollah que está dentro do Líbano. E, aliás, os próprios libaneses reconhecem que o Hezbollah é um problema para eles. Não só Israel é vítima do Hezbollah, mas também o povo libanês. Portanto, os esforços agora, em primeiro lugar, são para manter o cessar-fogo e garantir que — obviamente ainda haverá operações defensivas dentro do acordo. Israel tem o direito de se defender de um ataque iminente ou em andamento de elementos do Hezbollah, que farão de tudo para sabotar o cessar-fogo. Mas, no fim das contas, as duas partes concordam que a solução é um Exército Libanês com capacidade para combater, desarmar e desmantelar o Hezbollah dentro de seu próprio país. E é isso que estamos trabalhando para estabelecer: um sistema que realmente funcione, com unidades selecionadas e treinadas das Forças Armadas Libanesas que tenham o treinamento, o equipamento e a capacidade para enfrentar e desmantelar os elementos do Hezbollah, para que Israel não precise fazer isso”.

Questionado sobre ataques de Israel a alvos do Hezbollah no Líbano, Rubio disse: “Estamos cientes de que eles vão acontecer. E mesmo no acordo fica muito claro que, se o Hezbollah estiver prestes a lançar uma série de foguetes contra Israel e contra as vilas do norte, Israel tem o direito de neutralizar essa ameaça antes que ela ocorra. São medidas defensivas. Isso é muito diferente de uma campanha ampla e contínua. E, aliás, enquanto estávamos sentados no Salão Oval com o embaixador de Israel e o embaixador do Líbano nos EUA, houve um ataque. Houve um lançamento de míssil do Hezbollah contra uma vila israelense no norte. E o objetivo, obviamente, era sabotar essas conversas. O Hezbollah continua realizando essas atividades. E o que acho revoltante é que toda vez que o Hezbollah lança foguetes ou realiza um ataque, a mídia global não noticia isso. Só se vê a cobertura da resposta israelense. Nós temos pedido aos nossos colegas israelenses que sejam inteligentes, que meçam suas respostas, que sejam proporcionais e direcionadas, e até agora parece que tem sido o caso. Obviamente, não sei o que aconteceu desde que entrei nesta sala com vocês, mas até agora tem sido assim, porque isso é importante. Mas o acordo reconhece que Israel tem o direito de lidar com ameaças que o Líbano não consegue enfrentar”.

Questionado se é possível que o Líbano entre nos Acordos de Abraão, Marco Rubio respondeu: “Ainda não chegamos a esse ponto. Obviamente isso seria muito promissor, mas ainda não estamos nesse ponto. O que percebemos — e está bem claro — é que, em grande parte, não existe um conflito libanês-israelense propriamente dito. O conflito é inteiramente com o Hezbollah. E o Hezbollah não está apenas em guerra com Israel; ele está em guerra com o próprio Estado libanês. O que precisa acontecer no Líbano não é apenas que a grande maioria do país — sunitas e cristãos — diga que o Hezbollah tem sido um pesadelo para eles, mas também que, dentro da própria população xiita, haja uma rejeição ao Hezbollah. Tudo o que o Hezbollah trouxe ao Líbano foi sofrimento e destruição. Eles são uma força externa operando dentro do Líbano em nome do regime iraniano. Deveria haver um único governo e uma única força armada no Líbano, e ela deve pertencer ao governo libanês. É isso que devemos fortalecer”.

O repórter lembrou que o Hezbollah ataca rotineiramente civis israelenses na região da fronteira, e perguntou se os EUA estariam abertos à possibilidade de que Israel mantenha indefinidamente uma zona de segurança dentro do Líbano. Marco Rubio respondeu: “Não. Acho que os israelenses não querem isso indefinidamente. Se você perguntar aos israelenses, eles diriam que o resultado ideal é um governo libanês forte, com Forças Armadas Libanesas fortes, capazes de desmantelar o Hezbollah, impedir esses ataques e, no fim, garantir que ele não exista mais como unidade militar. Esse é o resultado ideal que tanto os israelenses quanto os libaneses querem. O problema que enfrentamos no curto prazo é que as Forças Armadas Libanesas, embora possam ter vontade, ainda não têm capacidade plena para lidar com todas as ameaças que vêm do Hezbollah dentro do Líbano. Por isso, o resultado ideal seria um em que não fosse necessária a presença israelense. Os próprios israelenses dirão isso. Eles não querem estar permanentemente no Líbano. Eles estão lá agora como zona de segurança para proteger contra o lançamento de armas leves, mísseis antitanque e, em muitos casos, foguetes de distâncias maiores. Mas, no longo prazo, Israel não fez nenhuma reivindicação territorial sobre o Líbano. Há muito trabalho a ser feito, mas a boa notícia é que tanto o governo libanês quanto o governo israelense querem a mesma coisa: paz e o fim do Hezbollah”.

O repórter afirmou que o Hamas, apesar de ter aceitado o cessar-fogo, não se desarmou  e mantém o controle de Gaza, e perguntou se a guerra pode ser retomada. Rubio respondeu: No fim das contas, todo esse acordo depende de eles se desarmarem e desmilitarizarem, e isso ainda não aconteceu. Houve alguns sinais positivos no fim de semana. Sei que nossos parceiros no Egito e na Turquia têm participado desse processo. Houve alguns sinais promissores de que estamos nos aproximando de um acordo quanto à desmilitarização deles. Mas isso precisa acontecer. Todo esse projeto só funciona se o Hamas for desmilitarizado. Até isso ocorrer, tudo fica em questão. Essa é a questão central. Estamos muito focados nisso. Houve algum progresso apesar das declarações públicas do Hamas. Mas, no final, precisamos ver isso acontecer, e estamos esperançosos de que nos próximos dias possamos ter boas notícias”.  

Questionado se os EUA apoiariam Israel contra o Hamas se o grupo não se desarmar, Rubio disse: “Não vou especular sobre o que o Presidente pode ou não apoiar no futuro em uma situação hipotética. Esperamos conseguir evitar isso. Não é o resultado que queremos. O resultado que queremos é que o Hamas seja desmilitarizado e que uma força de segurança palestina, apoiada por uma força de segurança internacional, consiga garantir a segurança em Gaza”.

Sobre Cuba, Marco Rubio afirmou: “Cuba hoje é duas coisas. Primeiro, é um Estado falido. Não tem uma economia real, seu povo vive em uma miséria terrível e também não tem liberdades políticas. Segundo, é um país anfitrião para adversários e concorrentes. Chineses, russos e outros usam Cuba rotineiramente para seus propósitos, a apenas 90 milhas de nossas costas. Isso é o que torna Cuba diferente de qualquer coisa no Oriente Médio ou na Ásia. Está literalmente a 90 milhas de Key West, a pouco mais de 100 milhas de Mar-a-Lago. É muito perto e importa porque está dentro do nosso hemisfério. É o mais próximo que pode estar. Por isso nos importamos; por isso é importante. Só podem acontecer duas coisas em Cuba. Uma é o colapso total — novamente, não por nossa causa. A economia cubana vem colapsando há muito tempo porque o marxismo, em geral, não funciona, e funciona ainda menos quando as pessoas que tentam aplicá-lo são incompetentes, não entendem nada de economia e não se importam com economia. Elas só se importam com o controle. Então, ou a situação piora muito e colapsa — o que é ruim para nosso país. Um colapso humanitário a 90 milhas de nossa costa, em um país de 11 ou 12 milhões de pessoas, não é uma coisa boa para os Estados Unidos. A outra possibilidade é melhorar. Mas, para melhorar, eles precisam de reformas econômicas substanciais e sérias. Essas reformas sérias são impossíveis com essas pessoas no poder. Não dá. E essas pessoas no poder não são apenas economicamente incompetentes. Elas abriram as portas para adversários dos Estados Unidos operarem em território cubano contra nossos interesses nacionais com total impunidade. Não vamos permitir que forças militares, de inteligência ou de segurança estrangeiras operem com impunidade a 90 milhas das costas dos Estados Unidos. Isso não vai acontecer sob o Presidente Trump”.

O repórter fez um questionamento sobre a China: “O Departamento de Estado alertou na semana passada sobre esforços crescentes da China para roubar propriedade intelectual americana relacionada à inteligência artificial. Em que momento isso se torna uma ameaça à segurança nacional maior do que uma ameaça econômica?”. Marco Rubio respondeu: “Sempre foi as duas coisas. Sempre foi as duas coisas, porque nossa segurança econômica está profundamente embutida em nossa segurança nacional. Veja toda a tecnologia de informação e toda a tecnologia usada por nossas forças de defesa: elas dependem fortemente dos avanços tecnológicos. Os chineses não são os únicos nem os melhores do mundo nisso, mas todos os países do mundo estão tentando roubar — e não estou desculpando o que os chineses fazem. É algo muito sério. Mas todo país, todo ator estrangeiro com capacidade, está tentando roubar nossa propriedade intelectual porque isso os beneficia, já que somos os melhores do mundo nisso. Portanto, essa é uma ameaça real. E mesmo enquanto buscamos estabilizar e ter estabilidade estratégica em nossas relações com a China, não podemos ignorar as ameaças que as atividades deles representam para nossa segurança econômica e nacional”.

Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário