O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, concedeu uma entrevista a Lara Trump, da Fox News, quando falou sobre Cuba, Venezuela, Irã, Rússia e China, e até sobre sua vida pessoal.
Questionado sobre a atual situação de Cuba e a divulgação de um relatório que chamou o país de ‘capital do comunismo do século 21’, Marco Rubio respondeu: “para quem acompanha a questão cubana, esses assuntos não são novos. Mas o americano médio vê Cuba como um país pequeno, a 150 km, com uma população de 9,5 milhões. As pessoas esquecem que, na verdade, eles são uma superpotência em espionagem e influência. Se você analisar a história da espionagem nos EUA, Cuba é o único país que consistentemente implantou e inseriu espiões no nosso sistema, sem sequer pagar a eles. Tivemos um embaixador - um embaixador americano - que se revelou um espião cubano. Recentemente, ele foi condenado. Eles penetraram nos mais altos níveis da inteligência de defesa. Ana Belén Montes foi uma das maiores falhas de inteligência por parte dos EUA, e uma das maiores penetrações no sistema da história. Então, quando se trata de inteligência, se você examinar toda a América Latina, cada insurgência da esquerda comunista que desestabilizou governos na região, cada uma delas, nos últimos 40 ou 50 anos, teve apoio, ajuda, e muitas vezes até a origem, em uma operação de influência cubana. Então, o relatório foi importante para enfatizar o papel de Cuba no nosso país - um papel muito negativo”.
Lara Trump perguntou sobre a influência cubana em movimentos como os tumultos causados pela Antifa e outros grupos, inclusive nas universidades americanas. Rubio respondeu: “é a mesma rede que age em todo o país. São as mesmas pessoas que você viu queimando coisas nas ruas em 2020. Depois eles se transformam e viram manifestantes pró-Hamas, aí se transformam de novo e, 48 horas depois da prisão de Maduro, já têm cartazes impressos em frente ao tribunal, exigindo sua soltura. E aí eles saem e vão atrás dos agentes do ICE e os atacam. Não tem nada de orgânico nisso. É financiado e organizado, e Cuba é uma parte dessa rede, em muitos casos uma parte essencial. E é uma rede que eles usam contra nós, e eles falam sobre isso abertamente, sobre como eles usam essa rede para pressionar os políticos americanos - não só aqui, como o Code Pink, mas em todo o mundo”.
Rubio explicou: “tudo o que está no relatório é factual. Francamente, não acho que seja possível questionar. As pessoas podem argumentar que não deveríamos fazer nada a respeito, e eu sei que há muita gente na academia americana — e, sinceramente, também na imprensa americana — que simpatiza com o regime cubano, e isso há muito tempo. Parte disso é motivada pelo antiamericanismo delas, e parte é motivada por afinidade ideológica. Há bastante gente — há gente suficiente em pontos-chave da nossa sociedade, incluindo professores universitários, mas, sinceramente, no passado já vimos gente dentro do nosso próprio governo, que simpatiza com o regime cubano. É a forma que eles têm de conseguir espiões sem precisar pagar por eles. Mas isso não significa que possamos ignorar essa ameaça. Esqueça, por um momento, a minha história pessoal, o fato de eu ser cubano-americano, o fato de eu ter crescido em Miami. Isso fica a 150 km da nossa costa. Um Estado falido a 150 km da nossa costa, que por acaso está alinhado com adversários dos Estados Unidos, é uma ameaça à segurança nacional do nosso país.
Sobre a Venezuela, Marco Rubio disse: “sei que não estamos na era da paciência e da persistência, mas essas coisas levam tempo. Estamos lidando com um sistema que está lá há mais de um quarto de século, então são raízes profundas com que temos que lidar. Também é um país que tem muitos problemas econômicos, e ainda teve um terremoto. Por isso, sempre falamos da fase um, na qual a nossa prioridade é a estabilização. Nós não queríamos que o país mergulhasse em uma guerra civil, migração em massa, agitação civil, e assim por diante. A segunda etapa é uma fase de recuperação, na qual acho que já estamos. Obviamente, o terremoto acrescenta complexidade a isso. É preciso ter uma economia funcionando. É necessário ter leis, normas e regulamentações em vigor, para que investidores dos Estados Unidos e do mundo todo possam entrar e investir com segurança, gerando prosperidade. No fim das contas, é preciso haver uma transição. Em algum momento, é necessário que haja eleições legítimas em todos os níveis, para que as pessoas saibam que o governo ali estabelecido é um governo legítimo, escolhido pelo seu próprio povo. O primeiro passo nessa direção é uma reconciliação nacional. Trata-se de um povo que esteve politicamente dividido, uns contra os outros, por muito tempo, e será preciso observar modelos como o que se viu acontecer no Leste Europeu depois da queda da União Soviética. Acredito que o papel que o governo dos Estados Unidos pode continuar desempenhando é o de facilitador de todo esse processo”.
Sobre a China, Marco Rubio afirmou: “a China quer ser o país mais poderoso do mundo em várias áreas, e às nossas custas. Obviamente, somos americanos e não vamos permitir que isso aconteça. Ao mesmo tempo, são as duas economias mais poderosas do mundo, provavelmente as duas forças militares mais poderosas do mundo — embora a nossa esteja mais avançada que a deles, mas, ainda assim. E acho importante que dois países grandes assim, os dois países mais poderosos do mundo, tenham um relacionamento, tenham a capacidade de conversar um com o outro e tentar evitar conflitos sempre que possível, porque isso pode levar a coisas muito ruins. A base disso é a relação que o presidente Trump tem com o presidente Xi, que é uma relação de respeito mútuo, e eles se dão bem. E isso é realmente importante: que nossos dois presidentes possam conversar um com o outro, e que isso seja normal. Aliás, acho que é quase irresponsável não ter comunicação direta com os chineses. Nós queremos estabilidade na nossa relação. Acho que os dois lados reconhecem que há áreas em que não vamos concordar, incluindo áreas em que vamos ter que competir. Agora, há áreas em que podemos trabalhar juntos. Isso é fenomenal, fantástico para o mundo. Mas acho que vai haver muitas áreas de atrito e competição, e temos que administrar isso ao mesmo tempo em que precisamos manter uma relação com eles — mas sempre temos que zelar pelo que é melhor para os Estados Unidos”. Sobre a possibilidade de a China tentar tomar Taiwan, Rubio disse: “não posso falar sobre o que pode acontecer em 20 ou 30 anos. Posso dizer a nossa posição: não apoiamos nenhuma mudança do status quo atual. Somos contra qualquer mudança coercitiva dessa situação. Deixamos esse ponto muito claro nas nossas reuniões com os chineses. Obviamente, eles têm um ponto de vista muito diferente, é uma questão muito sensível para eles. Então, mais uma vez, é parte de um equilíbrio muito delicado, porque qualquer conflito entre os EUA e a China, seja econômico ou militar, seria catastrófico para os dois países e para o mundo. Então temos que gerenciar isso, mas sem nos afastar dos nossos interesses nacionais. Esse é o trabalho duro das relações internacionais, e todo governo tem que tentar equilibrar isso”.
Questionado sobre as tensões mundiais e quais seriam os efeitos positivos do governo Trump na geopolítica, Marco Rubio disse: “o mundo sempre foi complicado e complexo. Acho que a diferença agora é que, se algo acontece do outro lado do mundo, num lugar de que você nunca ouviu falar antes, e é algo realmente dramático, você vai ficar sabendo quase instantaneamente. Creio que o mundo também está passando por um período de transformação acelerada. Quer dizer, claramente há uma reordenação geopolítica em curso, e eu já falei sobre isso repetidamente. Depois do fim da Guerra Fria, todo mundo achou que o mundo inteiro simplesmente se tornaria um conjunto de democracias de livre mercado, que todos iriam se dar bem e que os Estados-nação deixariam de importar. E, infelizmente, tomamos decisões na nossa política externa com base nessa premissa ridícula, o que acabou nos prejudicando enquanto país. Começamos a dizer coisas do tipo: não nos importa onde as coisas são fabricadas, que sejam fabricadas em outro país, contanto que os preços sejam mais baratos para os americanos. E isso acabou desindustrializando o nosso país e nos custando milhões de empregos. Então, o que vocês estão vendo o presidente Trump fazer agora é reequilibrar essas questões — na economia, usando tarifas; na geopolítica, usando nossa presença no mundo, especialmente no Hemisfério Ocidental, na nossa própria vizinhança, onde vivemos. E, é claro, também há ameaças antigas, como a ameaça iraniana de um programa nuclear, o que nunca pode acontecer. O presidente tem sido muito claro sobre isso. Então, você tem todas as ameaças antigas somadas às novas ameaças emergentes, e todas estão acontecendo ao mesmo tempo, e estão acontecendo mais rápido do que nunca antes. E esse será o trabalho deste governo, mas também será o trabalho de futuros governos. Algumas dessas questões vão levar décadas para se resolver”.
Questionado sobre o Irã, Rubio afirmou: “acho que o regime iraniano jamais enfrentou um presidente como o presidente Trump, que é alguém que realmente age. Eles se acostumaram, ao longo de 20 ou 30 anos, não só com os Estados Unidos, mas com o mundo em geral, permitindo que eles se safassem de coisas como mentir, quebrar acordos, enganar as pessoas para assinarem acordos, e assim por diante. Neste caso específico, foi bem direto. O Irã quer uma arma nuclear, e eles estavam construindo um escudo de mísseis convencionais atrás do qual pretendiam se esconder. Em essência, eles queriam estar, daqui a um ano e meio, em posição de dizer: "Temos tantos drones e tantos mísseis que vocês não têm como se defender." Era esse o ponto ao qual eles queriam chegar. O presidente Trump disse: não vou deixar vocês chegarem a esse ponto. E ele foi atrás — destruiu a marinha deles, destruiu a força aérea deles, destruiu as defesas de mísseis deles, destruiu os lançadores deles, destruiu as fábricas que produzem tudo isso, e degradou severamente as capacidades de defesa deles. Agora, eles ainda têm mísseis, ainda têm drones, e ainda conseguem causar danos, mas não têm mais aquele escudo, aquele escudo convencional atrás do qual podiam se esconder, e isso mudou toda a dinâmica. Essa é a única razão pela qual eles agora estão dispostos — e, em alguns casos, parecem até ansiosos — para fechar um acordo sobre desnuclearização, para fechar um acordo sobre os estreitos. Porque agora estamos nos aproximando deles a partir de uma posição de força, não de uma posição de fraqueza, que era o que eles percebiam vindo de governos anteriores e, sinceramente, do mundo em geral”.
Questionado se é possível conseguir a desnuclearização do Irã sem mudança de regime, Rubio respondeu: “O regime precisa mudar. Pode ser que não haja uma mudança de regime, mas o regime precisa mudar. O regime iraniano, tradicionalmente, tem sido expansionista. Em essência, a visão deles é que não querem apenas governar o Irã; eles querem governar a região. Eles se veem — eles querem exportar a revolução. Isso precisa mudar, e a única forma de mudar isso é fazer com que o preço seja alto demais para que consigam pagar”. Sobre o alinhamento das nações do Golfo com os EUA, Marco Rubio afirmou: “eu diria duas coisas sobre o Oriente Médio e o Golfo - eles sempre entenderam quem é o Irã e a ameaça que ele representa. Essa ameaça agora se tornou realidade. Eles viram drones e mísseis iranianos sendo lançados contra suas cidades e sua infraestrutura de energia. A outra coisa que mudou é que, acho eu, vocês vão ver cada vez mais a energia se diversificando para fora dos Estreitos de Ormuz, porque, do ponto de vista geográfico, o Irã sempre vai estar nos estreitos, seja governado por esse regime ou por um governo futuro. Mas vão surgir dessa situação duas características permanentes: vocês vão ver o realinhamento de como a energia flui, com menos dependência dos Estreitos de Ormuz; e vocês vão ver países da região que já não — que agora entendem que o Irã não é mais uma ameaça teórica. Enquanto esse regime clerical permanecer no poder, eles são uma ameaça real e direta — não só aos seus interesses econômicos, mas também aos seus interesses de segurança”.
Sobre a possibilidade de a Rússia ajudar o Irã, Marco Rubio disse: “Infelizmente, acho que vocês vão perceber que, no mundo, existem países — ou, pelo menos, empresas dentro de países — que trabalham com adversários nossos. E, quando identificamos isso, nós levantamos a questão, e, em alguns casos, com bastante sucesso. Nada do que quisemos fazer no Oriente Médio — nenhuma das ações que tomamos, nenhum dos nossos sucessos — foi de forma alguma impedido por qualquer coisa que outro país no mundo tenha feito contra nós. Há coisas que podem ser irritantes, há coisas que podem ser preocupantes, mas não há nada que qualquer outro país esteja fazendo que, de alguma forma, esteja impedindo que alcancemos aquilo que queremos alcançar, ou os objetivos que buscamos”.
Sobre a guerra da Ucrânia, Marco Rubio expôs: “O presidente deixou muito claro que, se os Estados Unidos puderem desempenhar um papel para ajudar a pôr fim a essa guerra, vamos continuar explorando essa possibilidade. Dedicamos bastante tempo a isso no primeiro ano. Chegou um momento em que a situação ficou meio estagnada, mas sempre nos mantivemos dispostos e prontos para desempenhar um papel construtivo. Somos o único país no mundo, e o presidente Trump é o único líder no mundo, capaz de trazer o lado russo e o lado ucraniano para começar a conversar sobre como encerrar isso. A realidade é que a dinâmica desse conflito mudou um pouco nos últimos meses. Os ucranianos agora são capazes de realizar ataques de longo alcance, atingindo profundamente o território russo, levando a guerra até — até o povo russo. O que estamos dispostos a explorar é se essa nova dinâmica, de alguma forma, abriu a porta para algum tipo de acordo negociado. Sei que vai haver — vocês vão ver alguns esforços nas próximas semanas para tentar reiniciar as conversas entre os dois lados e pôr fim a essa guerra. Mas também entendemos que ambos os lados têm algumas linhas vermelhas bem firmes; e, até que consigamos aproximar um pouco mais essas linhas vermelhas, ainda não vamos chegar lá. Mas estamos prontos para agir, e o presidente disse à equipe: se virem uma oportunidade de ser uma força capaz de impulsionar conversas de paz, vamos fazer isso. Então, ele sempre prefere a diplomacia à guerra, e a paz ao combate”.
Lara Trump questionou Rubio sobre os memes feitos sobre ele, refletindo os muitos papéis que ele já assumiu e assume no momento. Rubio disse: “os memes, é interessante, porque quando isso surgiu, eu odiei aquela foto. Naquele sofá, se você não tem uma almofada nas costas, você meio que afunda. Então, eu vi a foto e disse: “isso é terrível, estou horrível”. E aí virou outra coisa, e tudo bem, é engraçado. Eu não acompanho tudo, mas já me mostraram muitas imagens. Eu tenho um bom amigo que trabalha na Casa Branca, o Dan Scavino, que fez um mural para mim. E está sempre atualizando. Então, essas coisas são engraçadas. Você me perguntou se eu mudei. Acho que todo mundo — a vida vai passando, né? E, à medida que vamos vivendo, aprendemos coisas novas, vemos coisas que não tínhamos visto antes, ouvimos coisas que não tínhamos ouvido antes. Com certeza, eu sou uma pessoa diferente aos 55 anos do que era aos 25 ou até aos 35, porque tenho 20, 30 anos de experiência a mais — na vida e no trabalho — que moldam isso. Mas acho que, no fundo, a gente sempre quer continuar sendo a mesma pessoa, né? E isso tem a ver com quais são as suas prioridades na vida e quais são os valores que, de certa forma, te movem a fazer o que você faz — e espero que isso não tenha mudado. E, aliás, o mundo também muda. Há coisas que são verdade hoje que não eram verdade há 10 anos. Então, acho que isso vale para todos nós, não só para mim”.
Questionado sobre como lida com as atividades frenéticas e a vida familiar, Rubio disse: “é um momento interessante da minha vida. Na maior parte da minha vida pública, eu tinha crianças pequenas. Agora, meus quatro filhos são adultos. O mais novo acabou de terminar o ensino médio. Eu tenho um de 26, um de 24, um de 21, e um de 18. Então, eles têm as suas vidas. Eles têm as vidas deles e tem coisas acontecendo. Lembro de quando eram pequenos e gostaria de ter mais um dia com eles pequenos, mas também aprecio o momento que estou vivendo. Em relação a ser um marido, acho que o que acontece é que, quando os filhos ficam mais velhos e fazem mais as coisas deles - seja escola ou carreira - você passa mais tempo com a esposa - quase como quando vocês começaram a namorar, de uma certa forma. Então, passo mais tempo com a minha esposa e há uma espécie de redescoberta. Então é a segunda fase desse relacionamento, depois de todos esses anos. Então é um momento interessante da vida, que - misturado com o que estamos fazendo aqui - eu considero muito gratificante, e bem feliz”.
Lara Trump perguntou: “qual é a primeira coisa que o senhor faz quando chega em casa? O senhor dorme? O que acontece?”. Rubio riu e respondeu: “não, não vou direto dormir. Claro que não. Normalmente, quer dizer, se é que dá para — nesse trabalho, na verdade, não dá muito, e certamente não dá trabalhando para este governo e para este presidente, que nunca para de trabalhar, mas acho que é bom tentar se desconectar por algum período do seu trabalho ou das suas funções. Pode ser assistir a um evento esportivo, pode ser assistir a um filme, qualquer coisa que te permita meio que se desconectar e apertar o botão de reset. É mais difícil — era bem mais fácil fazer isso quando eu era senador. É muito mais difícil quando você está nessa função, nesse cargo, porque o mundo não vai parar e ficar esperando. Tipo, você pode querer — pode ter feito um plano à noite para assistir a um filme, mas, no meio do filme, algo explode em algum lugar do mundo, e você precisa saber sobre isso, e talvez precise fazer alguma coisa a respeito. Então, é mais difícil, mas não é para sempre, e é gratificante estar nessa posição”. Rubio disse: “se eu tivesse uma semana inteira de folga, eu ficaria imaginando o que estaria acontecendo. Estou sendo honesto, e talvez isso mude quando eu sair desse cargo. Mas se eu pudesse — tipo, se eu pudesse fazer o mundo parar por um minuto e não ter nada acontecendo, eu adoraria… minha esposa vai odiar essa resposta, mas eu adoraria me sentar e assistir, tipo, todo jogo de futebol americano universitário, começando ao meio-dia, horário do leste, até — até quando os jogos da Costa Oeste terminam, às 2h da manhã no nosso horário do leste. Eu adoraria poder fazer isso pelo menos um fim de semana. Mas duvido que vá conseguir fazer isso tão cedo”.